terça-feira, 8 de março de 2011

Mirra, mar e carnaval.

Jogava tudo que pudesse ser confundido com amor pelas janelas do carro em movimento, deixando que rolassem a encosta se quebrando nas pedras musguentas limadas pelas ondas do mar, os cacos, não sei, mas em breve... Em breve no tempo divino, se tornariam belíssimas conchas reluzentes. Tal pensamento a livrara da culpa. O mar a livrara da culpa. O mar... O mar ensina os homens a amar, às mulheres o mar ensina a suportar, amar elas sempre souberam.
Porém, antes de rolar a encosta e se espatifar em pedregulhos ele lhe trouxe um suave ramo de mirra. Encantada pela planta sagrada, sentindo-se divinamente atordoada por pouco não se confundiu e pediu que ficasse. "Tadinha, não viu o sol hoje!" - falando de si-mesma e olhando a planta, atordoada com a terça-feira de carnaval onde a tristeza ao invés de sepultada andava pela casa logrando à todos na chuvosa tarde. Diante do clamor das águas lembrou do que o homem lhe dissera: "antes da onda propícia, sete ondas encantadas virão sinalizando o porvir". Certamente ele era apenas uma precipitação, ou nem isso...
Só o coração para apontar as sete ondas reluzentes. Seria cada uma um fragmento de arco-íris? As substâncias alquímicas? As portas do paraíso? O mar era um oráculo e no tempo certo das coisas, as brisas trariam um saudoso cheiro de mirra, trariam conchas reluzentes, trariam de volta o amor perdido que escoou nas enxurrada das tardes de terça-feira de carnaval...

"Visão do espaço sideral
Onde o que eu sou se afoga
Meu fumo e minha Yoga
Você é minha droga
Paixão e carnaval..."
("Meu bem, meu mal" - Caetano Veloso)

Nenhum comentário:

Postar um comentário