terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Rei que veio do sul me apontar um norte.
Era setembro, a Primavera despertava a natureza, o espírito das plantas e dos corações.
Jamais pude imaginar tamanho desejo.
Jamais pude imaginar.
Depois que você se foi por aquela rua vazia, um aperto invadiu-me o peito, vontade de correr atrás de ti, de fechar os olhos e chorar, deitada naquela cama estranha de um hotel vagabundo. Que venham mais seis mil noites em vagabundos hotéis e nem a presença das baratas me faz duvidar da pureza e da beleza de nossa união.
Eu sempre sonhei contigo, mas por agora deixei de sonhar, pois só aparece em meus sonhos quem mora nas sombras, e você mora na luz.
- Do que você tem medo, morena? Eu tô aqui, eu sou real.
Quem é real, é rei. Rei que veio do sul me apontar um norte.
Surreal... Eram nossos corpos estendidos naquela cama e as paredes derretendo, o teto se abrindo e as nuvens no céu furta-cor se moviam em velocidade incalculável e da Terra eu só via tudo tingido de púrpura se alaranjando e tons de anil surgindo, porque era você, era você meu par de outras eras, era você o cigano viajante, de coração fervoroso e carne crua, os ruivos pelos de sua barba me espetavam a face avivando sensações profundas e encontrava uma fração de todos os mistérios estampada em sua íris. Intrigava-me sua pupila contraindo e dilatando conforme eu lhe lançava amor, porque o amor é uma luz que entra primeiro pelos olhos, o amor é uma vibração cuja força esculpe as palavras, formando-lhe o corpo delgado dos poemas. Peço-lhe que desculpe minhas palavras sobre desmedidos sentimentos, elas só querem te convencer a ficar, ficar na minha vida noite, dia, depois dias e noites uma após a outra. Eu só posso te dizer que me esforço na escuridão pra fazer com que jamais nenhum dia seja igual e eu possa surpreendê-lo a cada manhã, com a força de meus deuses, engolindo espadas e cuspindo gozo pelos nossos lençóis.
Você, que eu ainda não conheci, mas já sei quem é.
Você pobre mortal, grande guerreiro, honrado cavaleiro, cuja história homens antigos contam, foi aclamado imperador em praça pública por todos aqueles pecadores que buscou libertar, usando como arma sua alegria de fogo. Você que veio, cheio de coragem desbravar minhas terras, num tempo de estiagem, trouxe a chuva e o esterco pra fazer brotar o seco e velho campo. Você transpôs todos os outros em belezas, caprichos, nego, zelou em compromisso, em desejo, tornando-se a fonte de minha inspiração, meu amor. Farei jejum de todos os outros pratos pois tenho a liberdade de escolher só você agora. André. Digo seu nome sem vergonha e sem medo, para que todos os outros saibam que meu coração é seu como jamais foi de outrém.
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