I. A afirmação da nossa opção pela Vida
Eu vos digo que esse movimento mágico que estamos vivendo é porque depois de um longo período de gestação, vamos nascer e optar pela vida.
Quando for hoje pras ruas, não olhem apenas para frente tentando ver a polícia que os reprime, mantenham-se atentos sim, porém olhem para todos os lados, para todos estes rostos, olhe nos olhos das pessoas que estão ao seu redor e sorria para elas... Essa revolução não é sobre O QUE, é sobre COMO, COMO poderemos realmente mudar o que não faz sentido? Essa revolução tem que envolver o amor, a união, a paz, a compaixão e o respeito pela vida do outro independente de quem ele seja e o que tenha feito... Afinal, somos múltiplos, somos rede, mas todos somos Um e será incluindo e acolhendo o outro e sua condição de forma compreensiva e não determinada por julgamentos de valores que será possível transcender a condição de mediocridade, escravidão e insatisfação da qual nossas almas e mentes estão prisioneiras.
O que está acabando simbolicamente hoje no Brasil (e também no mundo) é um paradigma de séculos, que originou um modelo de organização social fundado na desigualdade, no poder centralizado, em um confronto entre opostos que sempre culmina na exclusão, psicologicamente imerso na culpa, no medo e no não reconhecimento da responsabilidade pelo que é comum.
Há um fenômeno que vem sido discutido por inúmeros mestres ao redor do mundo chamado "The Great Turning", "A Grande Virada" da nossa sociedade de consumo, pautada no medo da escassez e na competição, pra uma sociedade que satisfaz suas necessidades, cuidando da sustentação da vida e reconhecendo a abundância existente na diversidade e no poder da cooperação.
Não aceitarmos ser reféns de R$0,20 de aumento no preço dos transportes significa não aceitarmos mais vivermos em uma sociedade cuja principal fonte energética é o petróleo. Não, o petróleo não é um inimigo, o inimigo são as grandes corporações que se declararam proprietárias dos recursos naturais deste planeta e incitaram todos nós à consumir desenfreadamente e exaurir inúmeros recursos que já começam a nos faltar. Ocupar as ruas e andar a pé, significa dizer que estamos revendo nosso conceito de cidades, de que as ruas não são feitas só para os carros, mas também para pessoas. Ocupar os espaços públicos significa que estamos reconhecendo a Terra como nossa, de todos e não de alguns. Significa que estamos recuperando nossa auto-estima, que estamos distribuindo o poder e também o pão e multiplicando assim, as belezas desse mundo. Vamos nos organizar ao redor de causas e propósitos e não ao redor de líderes políticos. Nunca em toda história da humanidade houve tanto conhecimento técnico e informação, o que nos permite solucionar todos esses problemas que estamos enfrentando e mudar a realidade, através de coragem, criatividade e confiança.
O sistema é mais frágil do que se imagina, seu funcionamento depende de nossas escolhas. Nem sempre é fácil escolher sair da zona de conforto, mas quando muitos se erguem, o peso do fardo fica mais leve para todos. O poder circula e senti-lo entre as mãos e segurar firme outras mãos é o que tecerá uma rede de extraordinária beleza, está nascendo um mundo melhor para todos.
