quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Filhas do Acaso e da Ilusão

Então os Amores acabam. Continuam se acabando até nunca terminar de se acabar...

Então as Paixões nascem, crescem e morrem. Tudo graças ao amor de seu pai Acaso e sua mãe Ilusão.

Após nascerem, as Paixões aumentam de tamanho e fervem, fervem até secar, depois tendem a esfarelar transformando-se em pó cintilante de asa de borboleta e pólen de flor. Não há lei regulamentada, nem punição formal para aqueles que deixam as Paixões que fervem agonizar no deserto da solidão! Mesmo assim, fica este condenado ao infortúnio, sob a pena do desalento por mais de uma estação (os cárceres da alma estão sempre cheios no inverno). Uma Paixão tem que aguar sempre, com chuva, cachoeira e água de coco. Vive distraída, machuca sem querer e ferida de Paixão cura com unguento de saliva e óleo de suor. Se a poeira assenta, tem que ter cuidado ao limpar: ela risca e desafina muito fácil, são como os discos de vitrola. Toda Paixão gosta de ganhar palavras de presente, ainda mais quando estas são de apreço e devoção. As Paixões não suportam a Paciência, acham-na enfadonha e buscam ficar distantes dela, a única amiga em comum entre elas é a Esperança. A Loucura e o Desejo é um casal bem liberal companheiro das Paixões, estão sempre juntos promovendo festinhas à fantasia e encontros entusiasmados de contato e improvisação.



*Ilustração de Remedios Varo