terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A curva, o monte, o céu, o mar.

A descida da serra, uma curva desnudando o monte, o céu. O céu, o mar, o céu e já não se sabia onde terminava um e onde começava o outro. Era aquele desenho de uma sizígia, a apoteose de uma busca que se via eterna, mas era Maya, um engano, uma ilusão porque um todo deixa de ser um Todo se não Todo se fizer. Adorava essa simbiose, mas sabia que não devia. Um exercício diário amar, buscar o amor na terra é como ver desenhos surgir no vagar das nuvens. Sem esquecer que num piscar de olhos todas nuvens se desmancham e por mais que a forma se perca, se souber o compasso do bailar do tempo um novo desenho poderá se achar. Aí morava o segredo de ter olhos brilhantes e cabelos em caracóis. Tatear cegamente as horas tentando esculpir a obra-mór da nossa história de herói. Desapegava e logo apegava-se denovo, matava dragões e tantas outras bestas surgidas dos calabouços de nosso próprio ser.
Algo eu aprendi com a disciplina do Mestre: que as coisas são minhas, somente minhas e quanto mais minhas mais encantos me provocam quando vistas do lado de fora. É como se eu gritasse muda, flutuando em divagações, embaralhada nos vãos desses reflexos, no fundo dos espelhos o eco de duas faces refletidas em Si-Mesmas. O ser brilhava, o ser era um enigma novo a ser decifrado: "amar da melhor forma que encontrasse dentro do espírito do tempo", falava sozinha ao espelho, como se você estivesse ali, ali dentro bem na minha frente, inspiração de tantas histórias. Eu tinha que sofrer, tinha que chorar e confessar as imagens a dor que eu sentia de ser só e o medo que me me invadia de só ser. Nunca chorei pra ti, nunca chorei pra ele, nunca entre nós vi lágrimas e isso me doía mais que qualquer coisa...