sexta-feira, 20 de agosto de 2010

de luas e temperança

De luas em luas. De luas nas ruas. Incensos de massala, sândalo. Ouvia no quarto ao lado um Tim Maia Racional. Estava bêbada. Havia mudado o endereço das suas confissões, ainda não havia se acostumado. Mas qualquer terceira pessoa era ela mesma, é bom informar o leitor, talvez mais um nós de nós mesmas, quantos ums, quantos?! Qualquer um, qualquer outro. E aí? Zás!!! Semana que vem: lua cheia! Mas tudo beeeem, aguenta firme e forte e guerreira e linda e maravilhosa por isso, como ela, agora faço questão de estar presente. Presente no agora. Mesmo quando parecia absorta por seus sonhos, procurava o novo, procurava sentir ao redor e além. No além? O além era o lar das velhas histórias. Pobres histórias às quais ela se apegava com tanta força! Tanta que chegava a colecionar os cacos e os cactos de tudo que se foi, troféis de sucata. Bicho homem e seus símbolos! Maaas ah! Tinha memória, gostava de remexê-la, lindos, todos, tantos! A Culpa vinha e dizia: - o que você está fazendo? Ela simplesmente respondia: - Tô bem grandinha, sei o que eu tô fazendo, faz favor de sumir daqui?

Terapia? Terapia meu bem, é a vida, é tentar achar o equilíbrio entre os pólos! Entre todos os pólos. Entende? Encontrar o equilíbrio entre todos os pólos. O ideal é ser movimento, transitar, fluir o tempo todo. Entre Apolo e Dionísio, fluiiiiiinnndoooo. Apolo e Dionísio... Dionísio... Lua cheia, fruta madura e suculenta. Apolo, provações de herói, todos os dias e horas marcados, o limite, a responsabilidade. Só quero ser livre. Quem é livre, acabei de ler por aí, não tem medo do ridículo. Quem é livre vem aqui te dizer que agora estão numa relax, numa tranquila, numa boa. Até tô nessa, mas não, ainda não sou livre. Sou presa à uma lapiseira zero.três, à sabonetes Phebo Amazonian; ela é presa à fotografias mnemônicas que de tão gastas já foram reeditadas à gosto do freguês.

Ela não é livre. Mas andou na linha. Por isso, de luas em luas todo universo concatena para que algumas coordenadas coincidam em um plano cartesiano que não é plano, nem Descartes. É um Algo, que redime o sacrífio, Algo que vem laçar o sentido, traçando uma lemniscata em fita de cetim ao som de requiem de Mozart, isso sim, algo maior, algo que é Deus, é o Tao, é tudo e tudo e nada e não, seu Nome é impossível de ser pronunciado.






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